Celebra-se em Dezembro o Dia Internacional do Voluntariado. Como acontece com todos os dias internacionais ou mundiais, a sua criação destina-se a sensibilizar as populações para algum objectivo. Neste caso para uma crescente intervenção cívica e para a dimensão social e solidária da vida nas comunidades humanas, num mundo que cada vez mais agrava as desigualdades entre pessoas, regiões, etnias e países. Ainda no passado fim-de-semana largas dezenas de milhares de pessoas, de diferentes idades e condições sociais, uniram-se num projecto do Banco Alimentar para recolher, em todo o país, algumas toneladas de alimentos que serão agora canalizados para famílias carenciadas através das instituições de solidariedade social que fazem este trabalho. O serviço voluntário não deveria ser encarado como uma espécie de moda, mas é o que parece. Só que tem um problema. Assim como para cantar o fado nem toda a gente serve, sendo necessária uma vocação, também o simples facto de o serviço ser de carácter voluntário, logo não remunerado, não significa que qualquer pessoa sirva para o executar. É preciso que a pessoa disponha de um determinado perfil, que nem sempre é fácil encontrar. Antes de tudo há uma coisa básica que qualquer voluntário, em qualquer serviço necessita demonstrar: compromisso. Não é possível desempenhar funções em voluntariado se não houver verdadeiro compromisso. E esse compromisso começa por se reflectir na assiduidade. O facto de o serviço não ser remunerado não é razão para faltar frequentemente sem motivo válido, e mais grave, muitas vezes sem avisar. Uma outra vertente essencial do compromisso é a capacidade e disposição para o desempenho de funções no estrito respeito pelas normas estabelecidas. Quem age ao arrepio do estabelecido demonstra não ter espírito de voluntário. Quem, na vida profissional, apenas cumpre as normas para não perder o emprego, não serve para o voluntariado. O mesmo se pode dizer em relação ao reconhecimento e respeito pelo devido enquadramento da sua actividade e pela liderança a que está sujeito. A Lei n.º 71/98 (art. 5º.) afirma que “o Estado reconhece o valor social do voluntariado como expressão do exercício livre de uma cidadania activa e solidária e promove e garante a sua autonomia e pluralismo.” Também será bom não esquecer que há tipos de serviço voluntário que exigem características e competências pessoais muito específicas. Por tudo isto, e à luz de uma previsível massificação do voluntariado, deve recordar-se que não é voluntário quem quer, mas quem pode, isto é, quem tem vocação para tal.
Brinquedotecas - Apoio aos profissionais de hospitais e creches
O Programa Brinquedoteca, desenvolvido pelo Serviço Voluntário de Assistência Social (Servas), é direcionado a crianças em escolas, creches e hospitais públicos e filantrópicos, oferecendo suporte lúdico a profissionais que lidam com esse público. É desenvolvido em três modalidades:
- Brinquedoteca Móvel - apoio a hospitais públicos e filantrópicos
A Brinquedoteca Móvel é um programa desenvolvido pelo Servas com o apoio do Governo de Minas e parceiros que visa contribuir com o trabalho desenvolvido em hospitais públicos e filantrópicos que atendam crianças e adolescentes. Foi lançado em 17 de agosto de 2009 pela presidente do Servas, Andrea Neves, e pelo governador Aécio Neves.
Com projeto arquitetônico especial desenvolvido por equipe técnica e criação registrada pelo Servas, a Brinquedoteca Móvel é composta por dois módulos articulados e sobrepostos divididos em compartimentos com 96 itens como brinquedos, livros, lápis, jogos e DVDs. O módulo é equipado também com TV, DVD e MP4. O projeto atende a crianças e adolescentes de zero a 14 anos. Projetada com as dimensões de 0,60 m de profundidade por 1,40 m de altura, com rodízio e material leve, permite deslocamento entre ambientes.
São quatro modelos ilustrados com animais da fauna brasileira: onça, tartaruga, lobo-guará e mico-leão. Os brinquedos foram escolhidos cuidadosamente, seguindo a orientação de pedagogos e terapeutas. É equipada também com bandejas para que a criança no leito possa ter apoio para brincar, facilitando também a interação entre eles.
- Brinquedoteca Hospitalar - Apoio na recuperação de crianças hospitalizadas
A Brinquedoteca Hospitalar é uma iniciativa do Servas e Governo de Minas que objetiva contribuir para a recuperação de crianças em tratamento em hospitais públicos ou filantrópicos, por meio de atividades lúdicas. O programa foi lançado em 2007 pela presidente do Servas, Andrea Neves.
Com o apoio de parceiros e do Governo de Minas, por meio do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca), o Servas se responsabiliza pela adaptação dos espaços. São projetadas considerando-se as necessidades afetivas, sociais e psicopedagógicas de crianças hospitalizadas. Um dos resultados do programa é tornar a criança parceira ativa de seu tratamento, aumentando a aceitabilidade em relação à internação.
Todas as unidades são equipadas com mobiliários específicos, equipamentos eletrônicos ( som, TV, DVD e computador) brinquedos pedagógicos, jogos e obras infantis, como livros, CDs e DVDs, para crianças até 14 anos.
Já foram implantadas cinco Brinquedotecas Hospitalares em Belo Horizonte, sendo duas em alas pediátricas da Santa Casa, uma no Hospital Infantil João Paulo II, uma no Hospital da Baleia e outra no Centro Psíquico da Adolescência e Infância (Cepai).
Caixa de Brinquedos - Apoio lúdico a creches de todo o Estado
O Programa Brinquedoteca – Caixa de Leitura, destinado a creches, foi lançado em fevereiro de 2004 pela presidente do Servas, Andrea Neves, e pelo governador Aécio Neves. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), usou a metodologia dos projetos Caixa de Brinquedos e Mala de Leitura, do Laboratório Brincar.
Executado com recursos financeiros do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), beneficiou mais de 35 mil crianças de zero a 6 anos em 460 creches de 129 municípios do Estado. Também promoveu a capacitação de cerca de 700 educadores infantis para o desenvolvimento das funções psicomotoras e emocionais das crianças atendidas, mediante atividades pedagógicas. O programa entregou kits, formados por 110 brinquedos e 27 livros, em embalagens separadas por faixa etária, de zero a 2 anos, de 3 e 4 anos e 5 e 6 anos, para creches de várias regiões do Estado.
Por ser uma entidade sem fins econômicos, o Servas é mantido por doações de parceiros, colaboradores e doadores solidários, que subsidiam as ações promovidas pela instituição. Essas doações podem ser financeiras ou não, conforme a finalidade.
As doações podem ser: • financeiras;
• veículos, eletrodomésticos, mobiliários, eletroeletrônicos, equipamentos de informáticas, alimentos, cobertores e etc.
Doações financeiras As pessoas jurídicas poderão deduzir o valor devido do Imposto de Renda devido até o limite de 2% do lucro operacional, antes de computada a sua dedução - Art. 365 do Decreto 3.000 de 26/3/99.
Doações para o Fundo para a Infância e Adolescência - FIA Estadual Pessoas físicas ou jurídicas que desejam apoiar alguns dos projetos do Servas, aprovados pelo Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, nos segmentos da infância e/ou juventude, podem fazer as doações através do Fundo para Infância e Adolescência - Fia Estadual.
• A pessoa física poderá destinar ao Servas/Fia Estadual até 6% do Imposto de Renda devido.
• A pessoa jurídica poderá destinar ao Servas/Fia Estadual até 1% do Imposto de Renda devido.
Para mais informações sobre como proceder: Secretaria Executiva do Servas
Avenida Cristovão Colombo, 683 - Bairro Funcionários - Belo Horizonte - MG
CEP 30140-140 - Telefax (31) 3349-2400 - e-mail para secretariaexecutiva@servas.org.br
"Talvez o maior serviço social que possa ser prestado por alguém ao país e à humanidade seja educar uma família. "George Bernard Shaw, dramaturgo inglês.
"Os filhos do analfabetismo são alfabetizáveis; não constituem uma população com uma patologia específica que deva ser atendida por sistemas especializados de educação; eles têm o direito a serem respeitados enquanto sujeitos capazes de aprender". Esta afirmação sintetiza, de forma muito simples, as complexas pesquisas da psicolingüista argentina Emília Ferreiro, conhecidas como a psicogênese da língua escrita. Los Sistemas de Escritura en el desarrollo del Niño - de sua autoria e de Ana Teberosky, que reúne os resultados desse estudo que durou três anos - foi publicado pela primeira vez pela Siglo XXI, em 1979. Discípulas do pesquisador suiço Jean Piaget, as autoras partiram da situação educacional da América Latina - em que havia um grande número de crianças que não aprendiam a ler e escrever - para desenvolver uma teoria de como se dava esse processo de aprendizagem. Naqueles anos, como ainda agora, os dados coletados pela Unesco eram alarmantes: 20% da população entre 7 e 12 anos estavam fora da escola; dos que permaneciam na escola, metade não passaria da 3ª série e jamais voltaria à escola e dois terços dos repetentes estavam nos primeiros anos de escolaridade.Esses dados mostravam que havia algum problema - como ainda há - de aprendizagem, mas não era do aluno. Na época, algumas correntes de pensamento chegaram a ver, nesses dados, indicadores de que as crianças pobres eram menos capazes do que as outras.As pesquisadoras argentinas buscaram, então, em contato direto com alunos de várias partes do continente, a resposta para esse fracasso escolar. Juntando os conhecimentos da psicolingüística e a teoria psicológica e epistemológica de Jean Piaget, Emilia e Ana mostraram como a criança constrói diferentes hipóteses sobre o sistema de escrita antes mesmo de chegar a compreender o sistema alfabético.Essas hipóteses se traduzem nas chamadas garatujas, em geral desconsi- deradas como forma de escrita ou, o que é mais grave, rotuladas como erro. Este era - e ainda é - o momento ignorado pela escola, levando os alunos a enfrentarem muitas dificuldades, com conseqüências traduzidas nos dados da Unesco.Além do livro, que no Brasil recebeu o nome de Psicogênese da Língua Escrita, a discussão está presente - entre muitos outros - nos livros Os Filhos do Analfabetismo , Novas Perspectivas sobre o processo de leitura e Escrita (Artes Médicas). Filhos do Analfabetismo resultou de encontro latino-americano realizado, em 1987, no México - onde Emilia leciona hoje - reunindo pessoas comprometidas com a defesa do direito à alfabetização de todas as crianças da América Latina. Lá estiveram educadoras brasileiras como Maria Leila Alves, Ana Maria Kauffman, Esther Grossi, Delia Lerner, Madalena Freire, Marilia Duran e Telma Weisz, que na época desenvolviam projetos provocados pela leitura da psicogênese.Emilia Ferreiro é doutora em psicologia pela Universidade de Genebra, trabalhou com Jean Piaget no Centro Internacional de Epistemologia Genética e é pesquisadora e professora do Centro de Pesquisa e Estudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional do México, único país que aceitou recebê-la como exilada da ditadura argentina. No Brasil, foi publicado ainda Alfabetização em Processo (Cortez).Construtivismo? Onde?A escola, como qualquer espaço social, de tempos em tempos passa por modismos. Como numa onda, de repente, todos passam a falar a mesma coisa, a defender os mesmos princípios, mesmo que não consigam colocá-los em prática. Assim foi também com o construtivismo. Vimos escolas de A a Z se auto-intitularem construtivistas. As propagandas diziam: "Temos horário integral, piscina, inglês, construtivismo, capoeira". Nos folhetos e outdoors, as escolas se apresentavam como tal, tornando o discurso completamente homogeneizado, vazio e acabaram transformando o construtivismo em um mero slogan.No Brasil, as primeiras referências ao trabalho realizado por Jean Piaget - matriz do pensamento construtivista - chegaram na década de 60. Na década de 70, a onda construtivista começa com as chamadas escolas experimentais. Mas é a partir da década de 80, após o tecnicismo e a constatação das limitações dos métodos de alfabetização em uso, que as idéias construtivistas ganham força com o trabalho de Emília Ferreiro e Ana Teberosky. Elas investigaram e descreveram, pela primeira vez, o processo de aquisição da língua escrita.Ser construtivista, ainda hoje, para uma escola, pode significar desde a aplicação criteriosa das idéias de Piaget e de Emília Ferreiro até algum método de ensino que respeite o ritmo de cada aluno. Porém, para muitos educadores, já é consenso que o construtivismo piagetiano não é uma teoria educacional, mas uma teoria epistemológica, ou seja, uma teoria acerca do conhecimento. É sabido também que o construtivismo, ao ser adotado, precisa tornar-se o definidor da totalidade da ação escolar. No entanto, nenhuma teoria de aprendizagem é capaz de dar conta de responder à complexidade do contexto escolar. Então, podemos continuar afirmando que existe uma escola construtivista?Lourdes Atié, socióloga, consultora educacional, ex-colaboradora da Escola da Vila (SP)Uma idéia limitada na prática.A descoberta de Emilia Ferreiro sobre como uma pessoa, vivendo em uma sociedade mais ou menos letrada, aprende a ler e a escrever, tem uma importância muito grande para as ciências da educação. Esta descoberta foi a concretização dos achados piagetianos num campo conceitual particular, a saber, o da alfabetização. Porque Piaget, que se ocupou, conforme suas próprias afirmações, somente do sujeito da inteligência, estabeleceu grandes estágios da construção dos conhecimentos, os quais ele denominou de sensório-motor, pré-operatório, operatório concreto e operatório formal.Eles dão conta das grandes linhas do pensamento, mas não conseguem elucidar como se aprende um determinado conjunto de conceitos. Tecnicamente, Piaget estabeleceu a macrogênese dos conhecimentos e, ele mesmo, quando homenageado por ocasião dos seus 80 anos, fez um apelo para que outros pesquisadores continuassem seus esforços científicos, estudando as microgêneses de aspectos particulares das aprendizagens.O estudo de como se dão as aprendizagens de um certo domínio da realidade é uma fusão das idéias de Piaget e de Paulo Freire. Piaget esclareceu-nos que o conhecimento é resultante de uma ação internalizada do aprendente para resolver problemas. E Paulo Freire, em sua mais expressiva contribuição às ciências da educação, formulou a antropologia das aprendizagens, mostrando o quanto o aprender está vinculado com a vida e com a cultura. Ora, descobrir, como o fez Emilia Ferreiro, que a caminhada rumo à leitura e à escrita passa por hipóteses oriundas das vivências dos alfabetizandos com materiais escritos e com pessoas que já sabem ler e escrever, é a mais perfeita vinculação entre Piaget e Paulo Freire. Suas hipóteses são formuladas como tentativas de respostas ao problema de explicar como se escreve até ver como as letras se juntam para formar palavras e letras.A contribuição de Emilia Ferreiro permitiu a elaboração da proposta do Geempa de alfabetização, que ilumina, de forma muito nova e especial, esta tarefa escolar de alfabetizar a todos. Tarefa que, aliás, especialmente no Brasil, representa um enorme desafio, em face dos pífios índices de alfabetização de crianças em nossas escolas (ainda em torno de 50% anualmente) e da existência de 19 milhões de analfabetos absolutos acima de 15 anos, fruto desta inoperância alfabetizadora de nosso sistema escolar.A proposta geempiana de alfabetização constitui-se em uma aplicação das idéias de Emilia Ferreiro ao concreto da sala de aula e foi elaborada pelo Geempa (Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação), ONG de Porto Alegre que completará 30 anos de trabalhos científicos em 10 de setembro próximo. Ela é, entretanto, uma produção ousada que se contrapôs à posição da própria Emilia Ferreiro, de que sua descoberta fosse a base de uma proposta didática. Emilia não distingüe proposta didática de métodos convencionais de ensino comprometidos com teorias superadas a respeito do aprender, tais como o behaviorismo, o associacionismo ou o empirismo.Embora sua descoberta, denominada psicogênese da língua escrita, tenha sido um elemento fecundo para embasar a possibilidade de enfrentar uma de nossas maiores lacunas educacionais - o letramento de contingente tão numeroso de analfabetos adultos, os quais se geram a partir da ineficiência do ensino regular e, por sua vez, geram pobreza de ambiente alfabetizador para as crianças em idade própria de ler e de escrever - ela foi brecada em sua aplicação à didática por seu posicionamento equivocado e restritivo.É da didática que nasce o pós-construtivismo como conjunto de idéias para explicar o aprender. O pós-construtivismo é que alicerça as didáticas geempianas, tanto para a alfabetização como para a pós-alfabetização, matemática, história, geografia etc. E, com elas, efeitos extraordinários vêm sendo obtidos, tais como o da alfabetização de 1.000 mulheres adultas em três meses, na cidade de Porto Alegre. Efeitos similares foram produzidos em Horizontina, a cidade gaúcha de Gisele Bundchen, que está zerando o analfabetismo adulto em apenas três etapas de três meses cada.Esther Pillar Grossi deputada federal, doutora em Psicologia da Inteligência pela Ecole des Hautes Etudes em Sciences Sociales (Paris).Sem cartilhas mecanicistas.A psicogênese chegou ao Espírito Santo pela via do mestrado em educação da UFES, há mais de 15 anos. Formou-se a partir dali uma rede de grupos de estudos, pesquisas e práticas que envolveu a Universidade, a Escola de Aplicação da UFES, a Secretaria Estadual de Educação e a Prefeitura Municipal de Vitória, num processo, que ainda está vivo, de formação de professores.Não levou muito tempo e o estado se tornou um pólo da Rede Latino- -americana de Alfabetização Integral: foi um dos cinco primeiros estados brasileiros a participar da Rede Brasil de Alfabetização, idealizada e deflagrada por Emilia Ferreiro. A Rede Espírito Santo de Alfabetização foi decisiva na divulgação dos estudos psicogenéticos no estado. Objetivo da rede: mudar a face da escola pública.Mas entre nós, a psicogênese não influenciou apenas a alfabetização de crianças. Programas de educação de adultos, como o que é desenvolvido pelo Núcleo de Educação de Jovens e Adultos do Centro Pedagógico da UFES, já exibem textos de aprendizes que têm a marca das novas idéias. São textos verdadeiros, não artefatos escolares. Neles os autores mostram espontaneidade, autonomia, liberdade para ler o mundo e escrever a sua própria palavra, ainda que com erros. Não a palavra de uma cartilha mecanicista, que tem medo do erro e, para evitá-lo, subjuga a comunicação escrita às sílabas e frases já memorizadas. Essa virada em conceitos, práticas e atitudes tem sido desencadeada pela compreensão do erro como erro construtivo e pelo respeito ao processo de aprendizagem de cada educando, seja ele adulto ou criança. O ba be bi bo bu ainda aparece nas lousas das classes de alfabetização no Espírito Santo. Mas exposições de trabalho de alunos nas escolas mostram textos que têm a cara dos princípios psicogenéticos. É o emergir de uma nova consciência.Euzi MoraisA escola é excludente.A publicação e difusão da psicogênese da leitura e da escrita foi uma verdadeira "revolução copérnica" na educação. A Terra é redonda e o ser humano constrói suas aprendizagens de modo distinto de como lhe ensinam.As pesquisas de Emília Ferreiro consubstanciaram a Epistemologia Genética de Jean Piaget em relação à aprendizagem da escrita e da leitura. A partir desses trabalhos, a preocupação dos professores não poderia mais ser só com os métodos escolares de alfabetização: existe um processo de aprendizagem no aluno que precisa ser conhecido e estimulado por quem ensina.A teoria construtivista, muito mais do que um método de educação, o que, inclusive seus autores nunca se propuseram a fazer, indica novas perspectivas entre as relações humanas. Ela ultrapassa as concepções inatistas, pelas quais o ser humano já traz, ao nascer, suas possibilidades de aprendizagem; e as concepções behavioristas, que consideram a mente humana um recipiente vazio para ser preenchido e condicionado pelo meio externo - água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.Ela aponta a aprendizagem como um processo de construção na relação sujeito e meio. As teorias sócio-construtivistas, acrescentam a essa relação o entorno social, os outros sujeitos que interagem nesse processo, atribuindo-lhe um caráter mais dialético. Ao conhecer, eu me transformo, me confundo com o objeto aprendido, transformando-o e fazendo cultura.Esses 20 anos da Psicogênese, entretanto, ainda não foram suficientes para modificar significativamente as práticas escolares enraizadas nas concepções inatistas e behavioristas. Os caminhos que Emília Ferreiro apontou, muitas vezes, se transformaram em um modismo pedagógico. É comum encontrarmos, por traz do rótulo construtivista, práticas positivistas que classificam e discriminam os seres humanos. Mais do que adotar esta ou aquela teoria de aprendizagem, é preciso construir uma postura de respeito diante dos diferentes saberes, dos saberes do outro - que nunca serão os nossos - repensando o papel e a função da escola nessa sociedade ainda discriminadora e excludente.Marcia Leite educadora, diretora da Escola Oga Mitá e uma das fundadoras da Escola de Professores.MEC aceita o desafio.Atualmente as propostas do Ministério da Educação, tanto para a educação escolar como para a formação profissional, partem do princípio que todo indivíduo, quando aprende, constrói o seu próprio conhecimento. Isso significa dizer que alunos, professores e formadores são sujeitos ativos no seu processo de aprendizagem e, como tal, devem ser tratados pelas instituições educativas. Um processo de formação - escolar e/ou profissional - pautado nesse pressuposto se orienta por metodologias desafiadoras que privilegiam a construção de conhecimento e a resolução de situações-problema. A perspectiva, hoje consensual, é de que os indivíduos sejam desafiados a desenvolver suas diferentes capacidades, tanto como alunos quanto como profissionais. Os Referenciais e Parâmetros Curriculares Nacionais, o Referencial para a Formação de Professores, o Programa de Desenvolvimento Profissional Continuado "Parâmetros em Ação" e os demais documentos e projetos elaborados pelo Ministério da Educação estão apoiados nessa perspectiva.Iara Prado, secretária de Ensino Fundamental do MEC.(Jornal do Brasil, 14 de maio de 2000)
Dizem que ajudar um pobre,
É um acto nobre.
E que praticar caridade,
É um acto de piedade.
.Com base em tais premissas:
Só é nobre quem é rico,
E caridoso quem é pio.
Como não sou abastado,
E nos santos não confio...
... O melhor é calar o bico,
Se não ainda sou excomungado.
.Ajudar uma criança,
Decerto terá valor.
Dar-lhe um pouco de amor,
Não terá semelhança
Com o tal acto nobre,
De se ajudar um pobre?
E se a criança for pobre?
. Aí já tenho a certeza,
Que a ajuda tem nobreza.
Assim ainda podemos até brincar um pouco no assunto,
já que todos os seres humanos preferem fingir e achar que tudo está bem,
enquanto no mundo ainda há muita coisa a ser feita e fechando
seus olhos para quem ao lado está mais fraco e ainda pensamos que já que
somos classe média e não temos muito o que dar(dinheiro, casa) não podemos dar nada..
mas se damos algo é porque já o posssuímos bastante e se não damos amor,
é porque não temos amor próprio suficiente a dar a alguém.
Mas se queremos ter amor, demos amor á quem precisa..
se queremos o acolhimento no frio, então acolha alguém que estiver debaixo de uma grande trovoada..
Direitos Universais da Criança... pobre
Toda criança pobre tem o direito à desigualdade
Com distinção de raça, religião ou nacionalidade;
Toda criança pobre tem o direito a crescer ( quando de fome não morrer )
Dentro de um espírito covarde, de incompreensão,
Injustiça entre os povos e inimizade;
Toda criança pobre tem o direito a anonimidade e à indignidade;
Toda criança pobre tem o direito ao desamor
e à incompreensão por parte dos pais e da sociedade;
Toda criança pobre tem o direito à deseducação gratuita
e ao trabalho infantil;
Toda criança pobre tem o direito à desnutrição, a morar pelas ruas
à falta de saúde para si, sua mãe, seu pai e seus irmãos;
Toda criança pobre tem o direito a ser socorrida em último lugar
Seja lá qual for o estado de miséria em que ela se encontrar;
Toda criança pobre, física ou mentalmente deficiente
Tem direito ao esquecimento pelas autoridades competentes;
Toda criança pobre tem o direito à desproteção total
Para o seu retraimento físico, mental e social;
A toda criança pobre, que por insistência ainda viva,
Só lhe será negado um único direito:
Saber o significado da palavra vida.
( Renato Prata Biar )
E logo as crianças que são tão cheias da graça do senhor, tão cheias de si..
crianças são o amor puro, aqueles que só trazem a mensagem de Deus..
são enviados do senhor.
AS crianças deveriam ser patrimônio tombado, e deveria pagar multa
aquele que impede a criança de ser criança..
Deveríamos lutar para que desumanidades como ver criança pegando migalha no chão
para simplesmente saciar sua fome jamais acontecer.
Deveria haver um lar assim como idosos para acolher esses que
são o nosso futuro..Feliz aquele que conserva sua criança em casa..
brincando, sonhando e tendo o pão de cada dia.
A maior felicidade eu creio que seja o homem e uma mulher
serem dignos de serem pais...de terem condições de criá-los..
pois por isso os maiores erros os pais terem filhos cedo..
pois ainda buscam resposta pras suas dúvidas e ainda erram para
saber daquilo que ainda não sabem pois apenas tem a bagagem daquilo que seus pais
lhes ensinaram...por isso temos sim hora de ser pais...e deixemos de ser egoístas
e querer ser pai cedo pra curtir se ainda não sabemos das nossas escolhas..
iremos agora é fazer as escolhas pra um ser humano...somos feitos sim pra procriar os jovens...
porém os velhos que têm suas sabedorias , eles sim deveriam criar nossos
filhos, pois agora experientes que saberiam ser pais. Por isso avós
são pais em dobro e fazem as escolhas com muito mais sabedoria para nossas crianças..
Deveríamos ouvir muito mais nossos avós quando criança...deveríamos
sim deixar nossos filhos um dia inteiro com nossos pais para que
aprendam por mais que pareçam não haver regras
mas que aprendam a dosar o certo e o errado com o respeito.
DADOS
Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que cerca de 50 milhões de crianças vivem em estado de pobreza nos países desenvolvidos. E mais: o número de crianças nestas condições aumentou em 17 dos 24 países mais ricos do mundo durante os anos 90.
Se isto acontece nos países ricos, quanto maior não será o número de crianças vítimas da miséria nos outros países!
Trabalho perigoso, escravatura, trabalhos forçados, meninos-soldados, exploração sexual com fins comerciais e outras actividades ilícitas são algumas das formas de exploração infantil citadas no documento, que afectam 180 milhões de crianças no mundo.
O relatório mostra que as crianças são arrastadas para o mundo do trabalho e da exploração devido à pobreza e à falta de uma educação adequada, factores que estão a ser exacerbados pelos efeitos da SIDA.
No mundo, segundo dado da UNICEF, vivem cerca de 2,2 bilhões de crianças, das quais 1,9 bilhões em países não desenvolvidos, o que faz com que uma em cada duas crianças viva na pobreza.
No ano passado, morreram em todo o mundo 10,6 milhões de crianças antes de atingirem os cinco anos. Há pois um trabalho ingente de mobilizar as pessoas e os governos a ajudar estas crianças.
Há mais de 30 anos, os países mais ricos comprometeram-se a atribuir 0,7 por cento do Produto Nacional Bruto à ajuda aos países em desenvolvimento, porém, apenas cinco cumprem essa promessa: Dinamarca, Holanda, Luxemburgo, Noruega e Suécia. Uma campanha de angariação de fundos, a nível mundial, é urgente. Ofertas isoladas podem minorar mas não resolvem este problema.
A juventude não é um período da vida: ela é um estado de espírito, um efeito da vontade, uma qualidade da imaginação, uma intensidade emotiva, uma vitória da coragem sobre a timidez, do gosto da aventura sobre o amor ao conforto.
Não é por termos vivido um certo número de anos que envelhecemos; envelhecemos porque abandonamos o nosso Ideal. Os anos enrugam o rosto; renunciar ao Ideal enruga a alma.
As preocupações, as dúvidas, os temores e os desesperos são inimigos que lentamente nos inclinam para a terra e nos tornam pó antes da morte.
Jovem é aquele que se admira, que se maravilha e pergunta, como a criança insaciável: e depois? Ele desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida.
És tão jovem quanto a tua fé. Tão velho quanto a tua descrença; Tão jovem quanto a tua confiança em ti e a tua esperança, Tão velho quanto o teu desânimo.
Serás jovem enquanto te conservares receptivo ao que é belo, bom, grande. Receptivo às mensagens da natureza, do homem, do infinito. (General Mac'Arthur)
Ouvir tua voz é luz na madrugada É sentir descompassado o coração É bálsamo na ferida escarnada É calmaria no olho do furação
Ouvir a tua voz me acalma Faz-me prosseguir sereno E toda a angústia da alma Vai se tornando pequena
Tua voz é tão forte e tão marcante Mas nunca me dá medo não! Ela me dá a sensação aconchegante De estares segurando a minha mão
A tua voz me remete ao outro tempo E as lembranças voltam de repente Chego a se feliz por um momento Sentindo a vida pulsar novamente
Quando escuto a tuz voz é sempre assim: Morrer e viver numa eterna inconstância Mas deste jeito eu te sinto perto de mim Ainda que haja um abismo de distância!